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quinta-feira, 2 de julho de 2026

quarta-feira, 16 de julho de 2025

sem título (5)


Depois, aridez.

Mas te desato em seio
suave, relógio ou ponte ou fio
de sol:

aridez atravessada
por um vento de finitude.

E Febo ainda te ama.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

sem título (4)


I.
O calor me entra
pelos ossos.

II.
Morte a morte, galho a galho,
vejo-te, maior, correr –
vejo-te contemporânea
só de nuvens de algodão.

III.
O que no coração nunca
finda é a voz do mar,
o mar de julho, o de Homero,
o nosso.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

sem título (3)


Bebo o teu copo de areia –
de novo, o chão se molha.

O pardal traz a agulha;
a agulha fia o cetro.
É tempo de mãos sujas.

Alguém, no escuro, ainda
recolhe cacos da aurora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

sábado, 23 de março de 2024

sem título (2)


O espelho oprime, liberta.

E confesso: também eu
cultivei grãos de ferro.

De ti ficam calhaus,
fica a chance de crescerem
jardins na palma da mão.

sexta-feira, 1 de março de 2024

três haicais na Espanha


1.
À beira do Tormes,
sei: céu cinza, galhos nus.
E os gorjeios vivem.

2.
A velha muralha
sonha com batalhas velhas.
Nascem novas chamas.

3.
Longas finitudes,
os flocos de Candelario
calam-se às montanhas.

domingo, 21 de janeiro de 2024

domingo, 10 de dezembro de 2023

Nostos


Dia: sedas, falhas;
noite: malhas, perdas.

E do asfalto já não brotam
pedaços de sol.

Mas busco, ávido ainda,
as rugas caprichosas, mãos
salgadas de lua:

resta, lassa, a vida,
um sopro, uma pluma.

Naufrago, então,
e te nado: encontro,
no teu mar, uma ilha
de eternidade.

domingo, 3 de dezembro de 2023

três haicais


1.
O que nos contaram
a tarde e o vento da tarde 
já se esvaeceu?

2.
Amor: nau sem vela.
Ponho no anzol algum sonho
e pesco uma estrela.

3.
Manhã. Sopro e paz.
Nuvens passam. E o sol diz
que a vida é fugaz.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Dissolução


E os cansaços se afagam.

Se encho de ausência o quarto,
a não-palavra sangra

ou teu eco ainda é carne.

Já não sei que estranha voz
me veio habitar o silêncio.

haiku

E nenhum deus é tão poderoso que nunca se desate em lírio.