fragmentos
“Tra un fiore colto e l’altro donato / l’inesprimibile nulla”
quarta-feira, 16 de julho de 2025
sem título (5)
Depois, aridez.
Mas te desato em seio
suave, relógio ou ponte ou fio
de sol:
aridez atravessada
por um vento de finitude.
E Febo ainda te ama.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
sem título (4)
I.
O calor me entra
pelos ossos.
II.
Morte a morte, galho a galho,
vejo-te, maior, correr –
vejo-te contemporânea
só de nuvens de algodão.
III.
O que no coração nunca
finda é a voz do mar,
o mar de julho, o de Homero,
o nosso.
sábado, 16 de novembro de 2024
Ítaca, 16/11
Embora, evidentemente, a μῆτις de Ulisses muito nos fascine, ela é um atributo secundário: o humanismo essencial da Odisseia deve-se, antes de qualquer coisa, ao caráter errante do herói que lhe dá nome. Vemos em Ulisses um modelo de homem por sua determinação, por sua intrepidez, por sua autodisciplina, por seu sofrimento e por sua perseverança. Escreve Tennyson: “To strive, to seek, to find, and not to yield.”
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
11/10
E a noite cai sobre a Acrópole. A Grécia de hoje é cinza, eclipse, incêndio de um tempo findo – um tempo de homens livres, valentes e felizes. Olho para a pálida lua minguante e penso: esta é a mesma lua que Ésquilo um dia viu.
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
sem título (3)
Bebo o teu copo de areia –
de novo, o chão se molha.
O pardal traz a agulha;
a agulha fia o cetro.
É tempo de mãos sujas.
Alguém, no escuro, ainda
recolhe cacos da aurora.
sábado, 28 de setembro de 2024
sobre a Beleza
A Beleza: um fim em si, o mistério que dá vida aos corações verdadeiramente sensíveis da humanidade – o mistério que Nick desvenda na lua, e Tranströmer desvenda em Haydn, e Celan desvenda na janela, e Drummond desvenda na flor, e Quasimodo desvenda na chuva, e Eliot desvenda em Cristo, e Pound desvenda no vento, e Nietzsche desvenda em Dioniso, e Emerson desvenda no arbusto, e Saigyō desvenda na cerejeira, e Virgílio desvenda na liberdade, e Vyasa desvenda em Vishnu, e Ésquilo desvenda em Zeus, e Píndaro desvenda na música, e Heráclito desvenda no Logos, e Safo desvenda no amor, e Tirteu desvenda na pátria, e Homero desvenda em Calíope. Ensina-nos o mestre americano:
“No reason can be asked or given why the soul seeks beauty. Beauty, in its largest and profoundest sense, is one expression for the universe. God is the all-fair. Truth, and goodness, and beauty, are but different faces of the same All.”
(Atenas, 28/9)
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
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Depois, aridez. Mas te desato em seio suave, relógio ou ponte ou fio de sol: aridez atravessada por um vento de finitude. E Febo ainda te am...
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